O Livro do ego foi escrito a partir de falas, ensinamentos e palestras de Osho a respeito do ego e seu efeito em nossas vidas. O conteúdo é apresentado na forma de perguntas (dos discípulos) e respostas (dadas pelo mestre). Vale comentar ainda que a linguagem original foi mantida, de forma é possível identificar o tom informal da fala de Osho.
Um ponto que considero importante advertir é a visão não convencional de Osho a respeito de temas como religião, cristianismo, educação, hierarquia e autoridade. Ainda sobre isso, a tradição indiana do autor pode causar um choque cultural sobre o leitor, acostumado com a visão ocidental.
Em vários trechos, por exemplo, Osho se refere a Jesus como um homem ou como um líder espiritual, muitas vezes citado junto a Buda e Mahavira. Isso pode desagradar àqueles que veem Jesus como O Filho de Deus e autoridade espiritual máxima a ser seguida.
Guardadas essas ressalvas, o livro dá ricas orientações para encontrar a paz e a felicidade e se libertar de crenças limitantes, que trazem estresse e sofrimento. Em geral, os ensinamentos do Livro do ego refletem a sabedoria milenar oriental aplicada a um contexto contemporâneo.
Ao meu ver, o conteúdo desta obra ressoa com títulos como O poder do agora, de Eckhart Tolle, Não acredite em tudo o que você pensa, de Joseph Nguyen e O maior segredo, de Rhonda Byrne, sendo uma leitura super indicada para quem se identifica com essas obras.
Enfim, dito tudo isso, a seguir apresento os pontos chave da filosofia de Osho apresentada em O livro do ego, com base em minha própria percepção. Confira!
Esse artigo é baseado no O livro do ego, de Osho.
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O ego é uma programação social
“O ego do homem é a fonte de todos os seus problemas, de todas as guerras, de todos os conflitos, de todo o ciúme, medo e de toda depressão, Sentir-se um fracasso, comparar-se continuamente com os outros faz com que todo mundo se machuque, e se machuque bastante, porque ninguém pode ter tudo.”
O ego não corresponde ao verdadeiro ser que somos ao nascer, mas sim a uma imagem de nós mesmos, ensinada pela sociedade: nos identificamos com nosso nome, nacionalidade, religião, etnia, classe social, etc. Todos os desejos e ambições sociais são criadas pelo ego e trazem ilusão e sofrimento.
“O homem nunca foi aceito como ele é pelos pais, pelos professores, pelos vizinhos, pela sociedade. Todo mundo estava tentando torná-lo melhor… Apenas o fato de estar vivo é um belo presente, mas ninguém nunca lhe disse para ser grato a existência.”
O ser já é completo e perfeito agora
Em oposição à visão instituída pela sociedade ocidental de que temos que nos esforçar para nos tornamos “alguém”, Osho diz que o homem comum já é inteiro agora, incondicionalmente. Assim, lhe cabe aceitar-se como é. Você não precisa se tornar especial, pois já é, bem como cada indivíduo.
Segundo o autor, essa busca incessante por tornar-se traz apenas infelicidade, além de obscurecer a verdade. Somos, porém, programados para pensar que precisamos conquistar o valor por meio do status social. Essa abordagem é vantajosa para a sociedade, por isso tem sido perpetuada.
“Quando você sabe que é especial, o esforço desaparece… Aceite a pessoa que você é porque Deus aceita… Mas lembre-se de que não virá como um ego que você é especial em relação aos outros. Não, nesse momento você vai saber que todos são especiais, a pessoa comum não existe.”
O ego não resiste à presença aqui e agora
Por conta dessa crença na necessidade de “torna-se alguém”, o ego mantém o homem na expectativa: só será feliz quando alcançar seus objetivos. Por isso, precisa se sacrificar hoje para ser rico, intelectual e bem-sucedido e, só assim, encontrar alegria algum dia. Mas esse dia nunca chega.
Ou seja, o ego não pode existir no presente. Ele só existe no futuro ou no passado, porém, nenhum deles existe. Assim, o ego só pode existir com o não existencial, pois ele próprio não é real.
“No presente, momento puro, o homem não vai encontrar nenhum ego em si e sim uma alegria silenciosa, um nada silencioso e puro.”
Mas, se não sou o ego, então quem sou?
Para encontrar a própria essência, é necessário se despir dessa construção social que é o ego e olhar para dentro de si, perguntando “quem sou eu?” Essa resposta nunca poderá ser dada por ninguém mais além de você próprio, portanto, não recorra a ninguém.
Não tenha pressa de responder. As primeiras respostas surgirão a partir da sua memória, mas não são suas respostas, e sim da sua família, meio social, líderes políticos e religiosos, etc. A memória, assim como o ego, é uma construção e não a verdade interior. Portanto, não caia na armadilha de responder rapidamente com base na memória. Continue perguntando.
“Cada um deve perguntar a si mesmo, e então lembre-se também de evitar aquelas respostas que os outros já colocaram lá e virão à tona. A questão é de cada um, de modo que a resposta de ninguém mais pode ser útil.”
Faça da sua mente seu servo, ou ela se tornará seu senhor
A mente sempre quer mais, nunca está satisfeita. Logo, para ter paz, é necessário calar a mente. Contudo, isso não quer dizer que a mente não seja útil. Ela é necessária no mercado, na ciência e na tecnologia. No entanto, ela deve ser o servo, nas situações em que é necessária, não o senhor.
Se não for calada, a mente reivindica o papel de senhor. Você não é sua mente, ainda assim, é um equívoco comum se identificar com ela. Quando você se identifica com a mente, ela exerce poder sobre você.
“A identificação é a causa raiz da infelicidade, e toda a identificação é uma identificação com a mente.”
Contudo, há um interruptor para calar a mente: a meditação. Esta prática permite criar uma distância entre você e a mente, permitindo que a observe sem se identificar com ela.
Os problemas são criação da mente
Segundo Osho, todos os problemas são falsos, apenas ilusão. Eles são criados pela mente para servir como distração, impedindo o indivíduo de olhar para dentro de si mesmo. Quando você olha para a vida com total aceitação e confiança, os problemas deixam de existir.
Portanto, a abordagem sugerida no livro é observar o problema de fora. Aliás, um argumento interessante sobre isso é que é muito mais fácil para qualquer um de nós encontrar a solução para os problemas alheios. Sabemos dar conselhos e apontar possíveis falhas e melhorias quando vemos alguém em dificuldades. Porém, ficamos perdidos quando o problema é conosco.
Por isso, o autor sugere adotar essa postura de olhar para o seu problema como se não fosse seu. A clareza que provém desta atitude é a solução. E a chave para atingir essa clareza e distância do problema é a meditação.
“Você cria o problema porque não o compreende. Então a questão não é solucionar o problema, a questão é criar maior compreensão. E se houver maior compreensão e maior clareza, e o problema puder ser enfrentado de forma imparcial… somente então será resolvido.”
A meditação liberta o ser
A meditação é a chave para se libertar dos problemas e dos ciclos de irritação, descontrole emocional, ganância, etc. que impedem o crescimento. Para isso, basta relaxar e se entregar ao momento, observando a mente sem se identificar com ela, sem engajar em nenhum pensamento e sem qualquer julgamento nem justificativa.
“Sem dar tempo para que a mente descanse em meditação, as pessoas reprimem todas as mensagens que vão sendo despejadas nela constantemente. Elas se recusam a aprender, dizem que não têm tempo. Então as mensagens começam a se acumular.”
Emoções indesejadas não devem ser reprimidas, mas sim observadas e compreendidas
As emoções têm funções importantes, portanto, não devem ser reprimidas, ainda que algumas religiões ensinem a repressão da raiva e da sexualidade, por exemplo.
“A raiva como um surto de vez em quando tem sua própria função, tem sua própria beleza, tem sua própria humanidade. Um homem que não é capaz de ter raiva vai ser um covarde, não vai ter coragem.”
Osho argumenta que reprimir a raiva torna o indivíduo irritadiço, e que a repressão sexual resulta em comportamento violento. Ele aponta a abstinência sexual como um fator presente no treinamento de combatentes de guerra, pois essa supressão origina a raiva e violência necessárias para o combate.
Além disso, ele defende que não devemos encarar a sexualidade com vergonha ou culpa, pois o sexo é da natureza humana, um presente de Deus.
“Se a pessoa reprime o sexo fica irritada, pois toda a energia que se transformaria em sexo se transforma em raiva… É melhor fazer sexo do que ficar irritado. No sexo pelo menos há algo de amor, enquanto na raiva há apenas pura violência, nada mais.”
O sucesso, por si só, não traz felicidade
Osho critica a sociedade voltada para o sucesso, argumentando que essa busca tortura o indivíduo. Segundo ele, o sucesso real é aquele que ocorre como consequência de uma atividade feita com amor, quando ela própria é o fim, e não o meio.
“… não tenho nada contra o sucesso, que é perfeitamente satisfatório. O que digo é que as pessoas não devem ser motivadas por ele, pois do contrário vão perder a pintura, vão perder a poesia, vão perder a música que estão cantando neste exato momento, e quando o sucesso vier, terão apenas as mãos vazias, porque ninguém pode alcançar a realização pelo sucesso.”
A sabedoria suprema está sempre ao seu alcance, basta olhar para dentro
“Na verdade, tudo é dado ao homem tanto a pergunta quanto a resposta, tanto o problema quanto a solução, tanto a ignorância quanto o conhecimento. É preciso apenas que cada um olhe para dentro de si.”
Como a identidade que nos é construída não é real, muitos dos nossos anseios também não são. As religiões e segmentos sociais nos entregam ideias e regras do que devemos fazer e de quais devem ser nossos objetivos. Assim, vivemos conforme as regras dos outros, ignorando a sabedoria interior.
Osho nos estimula a parar de buscar orientação de tutores, familiares e líderes religiosos, mas, em vez disso, nos guiar pela intuição. Segundo ele, a melhor orientação é aquela que virá de dentro, a partir da prática de desligar a tagarelice da mente (do ego) e buscar a sabedoria interior.
“Daí minha insistência de que a meditação é a religião essencial, a única religião. Nada mais é necessário.”
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