Last updated on abril 4th, 2026 at 12:07 pm
Você terminou uma apresentação no trabalho, recebeu um elogio do seu chefe e, em vez de se sentir bem, ficou pensando: “Será que eles perceberam que eu não sei tanto assim?” Se isso soa familiar, pode ser que a síndrome do impostor esteja te afetando mais do que você imagina.
A sensação de ser uma fraude pode trazer sentimentos de ansiedade, angústia, autovigilância, perfeccionismo excessivo e necessidade de estar constantemente provando o seu valor. Você se sente, ou já se sentiu assim?
Se sim, fique por aqui para entender essa sensação e saber como lidar com ela. Nesse artigo, você vai encontrar insights esclarecedores, recomendações de bons livros e técnicas para superar a síndrome do impostor. Vale a pena conferir!
O que é a síndrome do impostor?

A síndrome do impostor é um padrão psicológico em que a pessoa acredita não merecer suas conquistas, mesmo quando há evidências claras do contrário. Em vez de reconhecer suas habilidades, quem sofre com esse fenômeno tende a atribuir seus sucessos a fatores externos, como sorte ou o acaso.
O conceito foi descrito pela primeira vez em 1978 pelas psicólogas Pauline Clance e Suzanne Imes, que observaram esse comportamento em mulheres de alta performance. Com o tempo, porém, ficou evidente que o fenômeno não tem gênero nem área profissional: afeta estudantes, artistas, executivos e qualquer pessoa que se exija muito.
Vale destacar que a síndrome do impostor não é uma doença nem um diagnóstico clínico. Trata-se de um conjunto de crenças automáticas que se repetem com muita frequência. Essa experiência internalizada de “falsidade” leva o indivíduo a duvidar de suas próprias conquistas e a temer que, a qualquer momento, seja descoberto como um impostor ou uma fraude.
Sintomas e características da síndrome do impostor
Identificar a síndrome do impostor pode ser complicado porque muitos de seus sinais se disfarçam de humildade ou cuidado com o próprio trabalho. No entanto, há uma diferença importante entre ser criterioso e viver com medo de ser “desmascarado” a qualquer momento.
Os sintomas mais comuns incluem:
- Dificuldade em aceitar elogios — tendência de minimizar conquistas ou atribuí-las a eventos externos ou até mesmo a outras pessoas.
- Medo desproporcional de errar — sensação de que um único deslize vai expor uma suposta incompetência.
- Comparação com os outros — sempre achando que todo mundo ao redor é mais preparado ou talentoso.
- Excesso de trabalho como compensação — trabalhar mais do que o necessário para “provar” que merece estar onde está.
- Procrastinação por medo do resultado — adiar tarefas importantes porque o resultado pode não ser bom o suficiente.
Dito isso, é importante ter em mente que sentir insegurança eventualmente é natural. O que diferencia a síndrome do impostor é a intensidade e a frequência desses pensamentos — e o quanto eles limitam as suas escolhas e o seu bem-estar no dia a dia.
Quem são as pessoas com maior chance de sofrer com a síndrome do impostor?

Embora a síndrome do impostor possa afetar pessoas de qualquer idade, gênero ou nível de sucesso, estudos indicam que grupos de maior vulnerabilidade social, como pessoas não brancas e a comunidade LGBTQIAP+, costumam ter maior predisposição a sofrer com essa condição.
A psicóloga Lisa Orbé-Austin, autora do livro Own Your Greatness: Overcome Impostor Syndrome (Assuma sua grandeza: supere a síndrome do impostor, em tradução livre. Infelizmente não há versão da obra em português até o momento), ainda destaca algumas situações que podem contribuir para o surgimento da síndrome do impostor. Em entrevista dada à revista Forbes, a Dra Orbé-Austin traça alguns perfis com maior associação a esse fenômeno:
- Crianças classificadas como inteligentes na infância, que, ao crescerem, se sentem pressionadas a lutar para manter essa identidade;
- o trabalhador que julga necessário se esforçar mais que a média para atingir resultados equivalentes;
- pessoas que não são consideradas de destaque, mas se veem na necessidade de alcançar sucesso para melhorar de vida, perfil conhecido como sobrevivente.
Como superar a síndrome do impostor
“Não pense que você pode ser destemida com sua vida e com seu trabalho sem nunca desapontar ninguém. Não é assim que funciona.”
Brené Brown, no livro A coragem de ser você mesmo
Superar a síndrome do impostor não é uma questão de fingir confiança ou se forçar a pensar positivo. É, antes de tudo, um processo de aprender a enxergar suas conquistas com mais honestidade e menos distorção. As dicas a seguir podem ajudar!
1. Dê nome ao que está sentindo
Quando o pensamento de não merecimento aparecer, pare e nomeie: “isso é síndrome do impostor”. Esse gesto simples cria uma distância saudável entre você e o pensamento, impedindo que ele seja aceito como verdade absoluta.
Nomear o fenômeno tira boa parte do seu poder. Afinal, é muito mais fácil questionar um pensamento quando você reconhece que ele segue um padrão, e que esse padrão não define quem você é nem o que você é capaz de fazer.
2. Registre suas conquistas

Mantenha um diário, um caderno ou qualquer forma de registro das suas realizações. Incluir feedbacks positivos, metas alcançadas e desafios superados cria uma prova concreta de que sua presença em determinado lugar tem fundamento real.
Nos momentos em que a insegurança bater forte, essa lista funciona como um antídoto direto contra os pensamentos distorcidos. Em vez de confiar na memória seletiva — que costuma destacar os erros e apagar os acertos —, você terá evidências tangíveis do seu valor.
3. Desafie e questione seus pensamentos
Essa é uma das práticas utilizadas na filosofia estoica e muito útil para lidar com crenças limitantes, como a síndrome do impostor. Enquanto observa e analisa seus pensamentos, questione sua validade e precisão.
Tente olhar para as situações de uma perspectiva mais objetiva e imparcial. Ao se deparar com sentimentos de inadequação ou autocrítica, pergunte a si mesmo se há evidências reais para apoiar esses pensamentos. Muitas vezes, você vai perceber que eles não passam de percepções distorcidas.
“Enquanto você não se reconectar com sua história e reconhecer sua singularidade e seu valor, não estará cumprindo seu propósito. E aí, vai se frustrar por tentar caber no espaço que é do outro.”
Rafa Brites, no livro Síndrome da Impostora
4. Fale sobre isso com alguém de confiança

Guardar esses sentimentos para si mesmo é o que os mantém crescendo. Quando você compartilha com um amigo, colega ou terapeuta o que está sentindo, frequentemente descobre que outras pessoas — inclusive aquelas que você mais admira — também passam por isso.
Além do alívio imediato, essa troca abre espaço para perspectivas externas mais equilibradas. Ouvir de alguém de confiança que o seu trabalho tem valor pode ajudar a recalibrar a visão que você tem de si mesmo, especialmente nos períodos de maior autocrítica.
5. Troque a perfeição pela progressão
Boa parte da síndrome do impostor se alimenta do perfeccionismo — da crença de que só merece reconhecimento quem nunca erra. Substituir esse parâmetro impossível pelo progresso real é uma das mudanças mais libertadoras que você pode fazer.
Isso significa aceitar que crescer implica errar, ajustar e tentar de novo. Quando o critério deixa de ser “fiz perfeito?” e passa a ser “aprendi algo com isso?”, o espaço para agir — e para confiar em si mesmo — se expande consideravelmente. 😉
“Acreditar que suas qualidades são imutáveis — o mindset fixo — cria a necessidade constante de provar a si mesmo seu valor.”
Carol Dweck, em Mindset
Livros para superar a síndrome do impostor
Quer mais uma mãozinha para vencer a insegurança que a síndrome do impostor causa? Então escolha um (ou mais) dos livros a seguir. Tenho certeza de que eles vão te dar apoio e dicas valiosíssimas!
Síndrome da impostora
Autora: Rafa Brites
Com uma abordagem franca e acessível, Rafa Brites compartilha nesse livro suas próprias experiências, lutas e desafios com a síndrome do impostor.
A narrativa é intimista, tem um clima de conversa com uma amiga: leve, sincero e com toques de humor. Há grandes chances de que você se identifique e sinta aquele conforto de não estar sozinha nessa.

A coragem de ser imperfeito
Autora: Brené Brown
Nesse livro, Brené Brown, desafia as noções convencionais de vulnerabilidade e coragem, oferecendo uma perspectiva transformadora sobre como aceitar nossa própria humanidade, com todas as nossas imperfeições e como encontrar coragem na exposição emocional.
A obra explora temas como medo, vergonha e imperfeição, com uma sinceridade reconfortante e uma narrativa agradável.

A coragem de ser você mesmo
Autora: Brené Brown
Essa obra propõe uma jornada de autoconhecimento e pertencimento, por meio de quatro práticas desenvolvidas com o propósito de nos conduzir de volta ao verdadeiro sentido de conexão.
Brown embasa seus argumentos com histórias reais, pesquisa científica e sua própria experiência, e nos convida a encarar a dúvida, insegurança e desconforto que acompanham a busca pela autenticidade.
Aliás, eu já li este livro e conto as principais lições dele em Resumo do livro A coragem de ser você mesmo, de Brené Brown

Mindset: a nova psicologia do sucesso
Autora: Carol Dweck
Em Mindset, Carol Dweck mostra como as crenças sobre nós mesmos orientam nossa vida. Ele distingue os mindsets fixo e de crescimento. Ambos estão presentes em todos nós, em diferentes graus.
No mindset de crescimento, abrimos espaço para lidar com os erros e fracassos como parte do processo de aprendizado, em vez de deixar que eles nos definam. Esse livro mudou minhas concepções sobre sucesso, fracasso, inteligência e competência. Recomendo fortemente!

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